22/08/2014 15h37 - Atualizado em 22/08/2014 15h37

Richard Dawkins diz que ter bebê sabendo que tem Down seria 'imoral'

Após ser criticado em rede social, ele pediu desculpa pela polêmica.
Ao mesmo tempo, biólogo britânico reforçou que optaria pelo aborto.

Do G1, em São Paulo

Richard Dawkins no Brasil, em 2009 (Foto: Shin Suzuki/G1)Richard Dawkins no Brasil, em 2009
(Foto: Shin Suzuki/G1)

O biólogo britânico Richard Dawkins, autor de livros como "Deus, um delírio" e "O gene egoísta", criou polêmica nas redes sociais ao dizer que seria imoral para uma mãe manter uma gravidez se soubesse que o feto tem síndrome de Down, segundo informa o jornal “The Guardian”.

Ele fez o comentário no Twitter em resposta a uma usuária que disse que enfrentaria um "verdadeiro dilema ético" se descobrisse que está grávida de uma criança com Down. “Aborte e tente de novo. Seria imoral trazê-lo ao mundo se você tiver escolha”, escreveu o professor da Universidade Oxford, famoso por ser um difusor do ateísmo e crítico do criacionismo.

Dawkins passou a ser muito criticado pelo comentário. Uma mãe de criança com Down disse que “lutaria até meu último suspiro pela vida" de seu filho "sem dilema”.

O britânico então escreveu um texto em seu site desculpando-se por alimentar uma polêmica nas redes sociais e tentando explicar melhor o que quis dizer. “Minha fraseologia sem tato pode ter sido vulnerável a mal-entendidos, mas não posso deixar de sentir que pelo menos metade do problema está em uma ânsia desenfreada de não entender", escreveu.

“Se a sua moralidade é baseada, assim como a minha, em um desejo de aumentar o total de felicidade e reduzir o sofrimento, a decisão de deliberadamente dar à luz um bebê com Down quando você tem a opção de abortar no início da gravidez, pode de fato ser imoral do ponto de vista do bem estar da própria criança”, argumentou Dawkins.

“Aqueles que pensaram que eu estava autoritariamente dizendo a uma mulher o que fazer em vez de deixá-la escolher, é claro que isso não era absolutamente a minha intenção, e peço desculpas se a brevidade (das mensagens no Twitter, que só comportam 140 caracteres) fez parecer assim”, prosseguiu o biólogo.

“Minha verdadeira intenção era, como já foi referido anteriormente, simplesmente dizer o que eu pessoalmente faria, com base na minha própria avaliação da pragmática do caso, e minha própria filosofia moral que, por sua vez, é baseada num desejo de aumentar a felicidade e reduzir o sofrimento".

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