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A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, discursa durante uma conferência em Washington, EUA. O Grupo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional realizam suas reuniões anuais em território americano (Foto: Alex Wong/Getty Images)

(Foto: Alex Wong/Getty Images)

Apesar da lendária reputação de lugar ensolarado e quente, ventos muito frios andam soprando no Brasil, afirmou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (14/04) ao falar da economia brasileira. "A situação da economia é muito preocupante, em termos de desemprego, inflação e claramente em termo de crescimento potencial."

"Esperamos que qualquer que seja o caminho, não entrando no debate interno sobre a situação política, a incerteza seja removida e a política macroeconômica brasileira seja estabelecida em terreno estável", disse Lagarde.

A dirigente do FMI disse esperar que, nesse terreno mais estável, não haja probabilidade de variações de objetivos fiscais e se crie um ambiente mais amigável aos negócios e que induza ao crescimento econômico.

Lagarde começou a entrevista à imprensa falando do clima ensolarado em Washington na manhã desta quinta-feira e fazendo uma alusão com a situação econômica do planeta. "Há alguns raios de sol na economia mundial, temos crescimento global e não estamos em crise, há sinais de a confiança estar melhorando e um número de países está crescendo a taxas razoavelmente robustas", afirmou a diretora-gerente do FMI. "Mas há alguns cantos do mundo que estão frios, em parte porque a recuperação permanece muito lenta e muito frágil", disse Lagarde.

Ao falar do Brasil, ela voltou a fazer a alusão ao clima e destacou a contração espera queda de 3,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2016. "Há ventos muito, muito frios soprando no país."

Cenário geral

A recuperação da economia mundial permanece "muito lenta e muito frágil" e os países emergentes precisam ficar atentos ao aumento de riscos, incluindo a de volatilidade nos fluxos internacionais de capital, afirmou Christine Lagarde. "Há muito o que se preocupar. Estamos alertas, não alarmados".

A possível saída do Reino Unido da União Europeia foi elevada pelo FMI como um "sério risco" para economia mundial. "Minha expectativa pessoal é que este casamento não termine", disse ela. O FMI deve divulgar em maio um estudo sobre os impactos desta saída, que deve ter repercussões nas relações de comércio e de investimento.

Lagarde defendeu a adoção pelos governos de políticas fiscais, monetárias e estruturais em conjunto para tentar estimular a economia. A política monetária precisa continuar acomodatícia em alguns países, disse ela. Os juros negativos têm efeito líquido positivo, mas as políticas fiscais precisam ser mais usadas pelos governos. Além disso, a dirigente ressaltou que a cooperação internacional dos governos precisa ser mais forte.

Questionada sobre a estratégia de elevação dos juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Lagarde evitou fazer previsões e avaliou que é positivo que o BC continue sendo dependente dos dados para tomar as decisões, que tenha intenção de elevar os juros de forma gradual e esteja comunicando bem sua estratégia.