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Por g1 Rio


Pazuello durante depoimento para a CPI da Covid — Foto: Sergio Lima/AFP

Ex-ministro da Saúde durante o governo de Jair Bolsonaro, o general Eduardo Pazuello (PL) foi o segundo deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 205.324 votos.

Pazuello, que foi transferido para a reserva remunerada do Exército em março, tinha comandado antes da passagem na Saúde unidades como o 20° Batalhão Logístico Paraquedista e o Depósito Central de Munição, ambos no Rio.

O oficial atuou na coordenação das tropas do Exército nos Jogos Olímpicos de 2016. A experiência em logística, segundo o governo, o referendou para ser nomeado secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão Nelson Teich, já na pandemia.

Com a saída de Teich em menos de um mês no cargo, Pazuello ocupou o cargo de ministro da Saúde entre 15 de maio de 2020 e 15 de março de 2021. Entre maio e setembro, ele foi interino na pasta, mas posteriormente foi efetivado.

Sua gestão ficou marcada pelo debate sobre o incentivo da hidroxicloroquina para a Covid – o medicamento é comprovadamente ineficaz para tratar o novo coronavírus – e a crise da falta de oxigênio em Manaus.

Também durante sua gestão, começou a vacinação contra a doença, não sem antes o ministro da Saúde e o presidente protagonizarem a circulação de informações desencontradas sobre a imunização. O presidente chegou a desautorizar publicamente Pazuello depois que ele anunciou que o Ministério da Saúde havia comprado 46 milhões de doses da CoronaVac para o programa brasileiro de vacinação.

Cloroquina

Bolsonaro com uma caixa de cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid, em foto de setembro de 2020.. — Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em setembro, durante a posse de Pazuello como ministro da Saúde, após três meses e meio como interino, o presidente se referiu a si mesmo como "doutor Bolsonaro" e fez propaganda da hidroxicloroquina exibindo uma caixa do medicamento à plateia.

Em 21 de maio, com Pazuello à frente da pasta ainda como ministro interino, o Ministério da Saúde divulgou uma nova versão de um documento técnico no qual recomenda que médicos receitem cloroquina e a hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19.

Posteriormente, o ministro afirmou que nunca autorizou o Ministério da Saúde a fazer protocolo que indicasse tratamento e passou a dizer que só tinha recomendado o "atendimento precoce".

Crise do oxigênio em Manaus

Em janeiro de 2021, o sistema de saúde do Amazonas entrou em colapso, com a disparada dos casos de Covid-19.

Nos momentos mais críticos da crise, os hospitais, superlotados, não conseguiam receber pacientes e foi necessário se iniciar a transferência para outros estados. Unidades de saúde ficaram sem oxigênio hospitalar para tratar os doentes. Investigações do Ministério Público e da Defensoria Pública apontam que mais de 60 pessoas morreram em todo o estado por conta da falta do insumo.

Mais de 500 pacientes foram transferidos às pressas para hospitais em outros estados. Na época, o Amazonas registrava recorde de internados com Covid, e as unidades ficaram superlotadas. O estado foi o primeiro do país a sofrer com os impactos da segunda onda da Covid.

A postura do Ministério da Saúde no episódio foi alvo de investigação - a PGR pediu abertura de inquérito para que fosse apurado, por exemplo, se houve demora do Governo Federal em agir. O general negou que houve demora.

O caso foi enviado ao STF, que posteriormente o remeteu à primeira instância. O MPF chegou a processar Pazuello e mais cinco pessoas, mas a Justiça Federal da 1ª Região o absolveu.

A gestão de Pazuello no Ministério da Saúde também foi debatida na CPI da Covid, na qual ele prestou depoimentos e buscou preservar o presidente, na avaliação de senadores.

Presença em ato político

Pazuello e Bolsonaro em ato no Rio — Foto: JN

Já fora do Ministério da Saúde, Pazuello foi investigado por participar de um evento político com o presidente Jair Bolsonaro. O processo, entretanto, foi arquivado pelo Exército, após Bolsonaro defender publicamente seu ex-ministro.

O Regulamento Disciplinar do Exército e o Estatuto das Forças Armadas proíbem a participação de militares da ativa em manifestações políticas. No ato que gerou o procedimento disciplinar, Pazuello chegou a subir em um carro de som com Bolsonaro e fazer um breve discurso.

Depois de sair do ministério, Pazuello foi nomeado secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

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