Por g1 PR — Curitiba


Pesquisa da UFPR mostra que teste de saliva tem precisão semelhante ao swab nasal — Foto: Juliana Barbosa/Aspec-UFPR

O teste para detectar o coronavírus por meio da saliva tem precisão semelhante ao swab nasal, no qual uma haste é colocada no nariz e na boca para coletar amostas do fundo da garganta, conforme uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O estudo, publicado em março em uma revista internacional, comparou três métodos de coleta para detecção do vírus Sars-Cov-2: swab nasofarígeno, saliva e bochecho.

De acordo com o resultado da pesquisa, os dois primeiros têm precisão semelhante, o que credenciou a utilização de saliva como método aplicado nas testagens na universidade.

A nota técnica foi publicada na revista Diagnostic Microbiology and Infectious Disease e fez parte da dissertação de mestrado do pesquisador Gustavo Genelhoud, do programa de pós-graduação em Genética, sob orientação da professora Patrícia Savio de Araújo Souza.

Segundo a docente, a motivação para a pesquisa surgiu com a demanda pelos exames, no início da pandemia. Havia uma pressão na cadeia produtiva e baixa disponibilidade de swabs de rayon, condição para a coleta das amostras para a realização do teste de RT-PCR, considerado padrão-ouro para o diagnóstico de Covid-19.

Além disso, buscavam-se alternativas de menor custo e que pudessem ser feitos pelo próprio paciente, sem a necessidade de um profissional treinado.

Pelo estudo, a saliva apresentou maior sensibilidade e acurácia do que as amostras de bochecho. O diferencial do estudo da UFPR é que os testes envolveram amostras pareadas (colhidas em sequência), o que não ocorreu em muitos estudos já publicados.

O professor Railson Henneberg, chefe Divisão de Apoio Diagnóstico e Terapêutico do Complexo Hospital de Clínicas (CHC-UFPR), foi um dos voluntários que se submeteram aos testes.

Para ele, o fato de o exame de saliva ser indolor é uma vantagem em relação aos outros métodos. “A coleta do swab traz uma ansiedade muito grande nas pessoas pelos relatos que dói, é agressivo, etc. Quando fiz a coleta da saliva percebi as vantagens por ser indolor, o que aumenta a adesão à realização do teste”, explica.

Como funcionou a pesquisa

Foram analisadas 229 amostras de trabalhadores do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, entre agosto e novembro de 2020. Os voluntários se submeteram às três testagens em um único momento, para comparação dos métodos.

Dentre as amostras, 41 foram positivadas para Sars-CoV-2 por swab, 40 pela saliva e 36 por gargarejo.

As amostras com resultados positivos passaram por três tipos de análise:

  • Especificidade: para comprovar que os resultados positivos se traduzem na condição esperada, ou seja, estar com Covid-19. Neste caso, os três métodos tiveram mais de 95% de especificidade, o que mostra a baixa incidência de falsos negativos.
  • Sensibilidade: para indicar que, mesmo em baixas concentrações, é possível detectar a presença do vírus. Ou seja, se o teste deu positivo para o swab (em 100% dos casos), também deveria ser positivo para os outros dois métodos. De acordo com os resultados, a sensibilidade chegou a 87,8% dos testes de saliva e 80,5% dos de lavado bucal.
  • Acurácia: considera os dois parâmetros anteriores associados, para gerar um percentual de concordância com o teste padrão-ouro. Em comparação com o swab, houve igualdade de diagnósticos em 96,9% das amostras de saliva e em 95,6% das amostras de gargarejo.

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